
por HELENA FURTADO________________________________________________ UM MODERNO MAIS DOCE____________________________________________ O mercado de decoração hoje não está pautado apenas por preocupações estéticas. É preciso oferecer algo mais. Os clientes mais exigentes procuram empresas com atendimento personalizado para satisfazer suas necessidades específicas. Em entrevista ao Correio do Povo, os arquitetos Nathalia Cantergiani e Cristiano Kunze comentam tendências da produção atual de design e arquitetura. Hoje, aponta Kunze, essas disciplinas assistem a um resgate do moderno. 'Ele foi de certa forma sepultado nos anos 60 e 70, classificado como funcionalista. A multiplicação de escolas e o boom populacional influenciaram o estilo. O pós-moderno veio com isso e liberou tudo. O kitsch, por exemplo, passou a ser uma zona permitida', relata. 'No fim dos anos 90, o moderno renasceu mais doce, menos frio', detalha. 'Essa abertura tem a ver com a preocupação dos profissionais com o resultado final, não só com o visual das criações. Hoje interessa saber se o material vai ser reciclado depois, se o consumidor vai se sentir bem usando aquilo. É necessário respeitar o estilo de vida do cliente. Tudo pode ser um pouco personalizado. Isso deixa o moderno mais macio', explica Nathalia. 'Em interiores, o importante é resolver o espaço e torná-lo aconchegante', arremata Kunze. Essas ideias influenciam a dupla em seu trabalho na Cometa Design . Em 2006, para vender suas criações, eles abriram a loja no Centro de Porto Alegre, onde já mantinham seu escritório. 'É uma opção de conceito trabalhar no mesmo local em que vendemos. Isso possibilita um contato permanente com nossa produção e nossos consumidores', observa a arquiteta. Assim como portenhos estão fazendo no Palermo Viejo e já fizeram em San Telmo, a dupla aposta na redescoberta de uma área menos valorizada pela população da cidade. 'Temos grande afeto por essa zona do Centro, abaixo da Duque de Caxias', revela Nathalia. A preocupação com o contemporâneo perpassa a produção dos dois. 'O desafio é fazer móveis que pertençam ao nosso tempo, sem parecer datados', resume Kunze. Os sócios assinam oito coleções exclusivas de móveis, acessórios, utilitários e roupas direcionadas para um público de olho em novas tendências. Alguns itens podem ter suas dimensões, cores ou matéria-prima modificadas segundo a intenção do cliente. A Multiply, nova série criada pela dupla, é formada por cadeiras e bancos fabricados de compensado de madeira. 'A cadeira da Multiply tem astral dos anos 50. Possui semelhança com a cadeira de cozinha e com o pé palito', comenta o arquiteto. 'Nessa coleção, tudo é feito de compensado, sem revestimentos. Não tem laminação. A chapa fica à mostra, bem crua', descreve Nathalia. A dupla adianta que a próxima coleção terá como ponto central a reciclagem de móveis antigos. Garimpadas com cuidado, as peças sofrerão intervenções e customizações, de acordo com as possibilidades de cada uma. 28/02/2009